Primeiros socorros em crise epiléptica: o que fazer e o que evitar.

Saber como agir durante uma crise epiléptica pode fazer toda a diferença na segurança da pessoa e na tranquilidade de quem está próximo. Este guia apresenta orientações baseadas em protocolos oficiais do Ministério da Saúde e da Rede Ebserh, explicando de forma clara o que fazer, o que evitar e quando buscar atendimento médico. Além destas orientações, o protocolo C.A.L.M.A., amplamente divulgado pela ABE – Associação Brasileira de Epilepsia – também traz direcionamentos importantes a respeito.

O que é uma crise epiléptica?

A crise epiléptica ocorre quando há uma descarga elétrica anormal e temporária no cérebro, podendo causar alterações na consciência, movimentos involuntários, sensações incomuns ou comportamentos automáticos. As crises variam em tipo e intensidade, mas a maioria dura poucos minutos e termina espontaneamente.

O que fazer durante uma crise epiléptica?

A primeira e mais importante atitude é manter a calma. Crises epilépticas, embora possam parecer assustadoras, geralmente terminam sozinhas e a pessoa se recupera gradualmente. Seguir as orientações corretas garante segurança e evita complicações.

Proteja a pessoa de machucados.

Afaste objetos próximos que possam causar ferimentos, como móveis pontiagudos, objetos de vidro ou quinas. Se possível, coloque algo macio sob a cabeça da pessoa, como uma almofada, travesseiro ou peça de roupa dobrada, para amortecer movimentos involuntários.

Posicione a pessoa de lado.

Assim que possível, vire a pessoa delicadamente de lado. Essa posição ajuda a evitar que saliva ou vômito obstruem as vias respiratórias, mantendo a respiração livre.

Observe e anote informações importantes.

Observe o horário de início da crise, a duração aproximada, os movimentos realizados e como a pessoa ficou depois. Essas informações são valiosas para o médico avaliar o quadro e ajustar o tratamento, se necessário.

Mantenha-se ao lado até a recuperação completa.

Após a crise, a pessoa pode ficar confusa, sonolenta ou desorientada por alguns minutos. Permaneça ao lado oferecendo apoio tranquilo, sem fazer perguntas ou cobrar reações imediatas. A recuperação acontece gradualmente.

Não coloque nada na boca.

Contrariando o senso comum, não se deve colocar objetos, dedos ou panos na boca da pessoa durante a crise. Isso pode causar engasgos, quebrar dentes ou ferir tanto quem está ajudando quanto quem está em crise. A pessoa não vai “engolir a língua” — isso é anatomicamente impossível.

Não tente conter os movimentos.

Segurar braços ou pernas com força durante a crise não interrompe os movimentos e pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas. Deixe que os movimentos aconteçam naturalmente, apenas protegendo a pessoa de bater em objetos ao redor.

Não ofereça água, comida ou medicamentos durante a crise.

Enquanto a pessoa estiver inconsciente ou com movimentos involuntários, não ofereça nada por via oral. Há risco de engasgo e aspiração. Aguarde a recuperação completa da consciência.

Quando procurar atendimento médico de urgência?

A maioria das crises epilépticas termina espontaneamente e não exige atendimento emergencial imediato. No entanto, algumas situações indicam necessidade de avaliação médica urgente.

Sinais de alerta que exigem atenção imediata.

Procure atendimento de urgência se a crise durar mais de 5 minutos, se houver uma segunda crise logo em seguida sem recuperação entre elas, se a pessoa tiver dificuldade para respirar após a crise, se houver ferimentos graves, se for a primeira crise da vida da pessoa ou se a pessoa tiver diabetes, estiver grávida ou for criança pequena.

O que é o protocolo C.A.L.M.A.?

Para facilitar a lembrança de todas estas orientações, o protocolo C.A.L.M.A. foi desenvolvido e se baseia no seguinte resumo:

C – Conserve a calma.

A – Afaste objetos que possam machucar.

L – Lateralize a pessoa (coloque de lado).

M – Marque o tempo da crise.

A – Acione ajuda se a crise durar mais de 5 minutos ou se houver sinais de gravidade.

Fonte: ABE – Associação Brasileira de Epilepsia 

Informação que salva e acolhe.

Conhecer os primeiros socorros em crise epiléptica traz segurança para familiares, cuidadores e qualquer pessoa que possa presenciar uma crise. Esse conhecimento transforma medo em ação eficaz, garantindo que quem vive com epilepsia possa contar com apoio adequado nos momentos necessários.

Compartilhar essas orientações oficiais contribui para uma sociedade mais preparada, acolhedora e livre de estigmas.